9.1.04

PESADELO DO POP


Mas a parada é que já têm alguns anos que o Rap é um dos estilos musicais que mais vem dando grana a industria fonográfica. Não podia ser diferente no Brasil onde as pautas sempre chega, com atraso mas chegam, na onda do que acontece no exterior. A questão é que nas últimas semanas tenho visto uma pá de pautas sobre como “o hip hop vai além dos guetos conquistando a classe média”. Botaram a culpa até no White Trash do Eminem, mas como sempre o que a mídia quer fazer é alertar aos pais de que seus filhos ainda estão a salvos, porque rap não é mais música de favelado.

Aliás esse discurso de que rap é coisa de favelado é tão velho quanto os playbacks do Flav Flavour. É só ver as estrelas do rap americano que não demorou um disco para o discurso mudar de ferro e suor para ouro e champanhe. Destes filhos bastardos do “Gansta Rap” de Dr. Dre, Easy E e Ice Cube, meu favorito sempre foi o Snoop Dogg. Um personagem pot-head que chega ao apice na abertura do DVD de “Up in Smoke”, mas que jamais deve ser levado a sério.

Dai que eu até me animei quando fiquei sabendo da vinda do Snoop Dogg ao Brasil. Porra eu já fotografei bandas que eu curtia bem menos, porque ia deixar passar batido esse personagem que certamente renderá altas fotos (as fotos do Flav Flavour ficaram shows por sinal!). Mas dai quando eu fico sabendo que vai ser no Rio Centro e possívelmente eu não ia conseguir vender essa foto pra ninguém preferi ficar focando na finalização dos últimos preparativos para a grande Fiesta Cucaracha ADM na terça que vem. Porra, o que eu ia fazer lá naquele fim de mundo!? Eu ia terminar de clicar as duas primerias músicas e depois ia ficar no meio de uma turba nada a ver, porque nenhum dos meus amigos (com quem já ouvi Snoop Dogg no quarto ou mesmo na balada) ia tar por lá. Pra completar ainda ia ter o Ja Rule, que esse realmente não dá pra engolir. Ah! Foda-se…

Agora um negócio que me estressa realmente é a auto-promoção, de um lado políticos e Juízes tentam proíbir o bagulho por apologia a maconha, e do outro os xiitas do hip-hop nacional lançam chispas pra cima do festival e cruxifica o Marcelo D2. Mas que eu me lembre no HUTUS, entre um show e outro só tocava Ja Rule e DMX e na entrega dos prêmios só rolou base gringa. E o MV Bill ainda veio falar horas sobre a importância do rap nacional nas rádios e que o programa da CUFA era o único que só tocava rap nacional. Isso no final do show, minutos depois começa a tocar Thalia…
Me lembro também que o Marcelo tinha sido indicado a cinco categorias no Hutus deste ano e não levou nenhuma, eu achava que ele ia levar pelo menos a de “Melhor Album” porque a produção do Caldato é foda. Aliás, tava todo mundo esperando porque quando apareceu o nome dele no vídeo de indicados a galera deu uma vibrada, a Nega Gizza que tava entregando o prêmio pegou logo no pé:

- E o vencedor é…. Aêêêê, a galera do Rio tava esperando né…? FAÇÃO CENTRAL!!!

Nada contra o Facção Central, que inclusive foi sacaneado pelo festival depois, porque seu show não teve nem meia hora de duração. Mas é foda você ver um festival de rap do rio, onde além de nenhum carioca (salvo o MENT na categoria “Melhor Grafiteiro”) ser premiado, os cariocas ainda são SACANEADOS. E ainda mais… por uma CARIOCA, da produção do festival… Vai entender… Mas de qualquer maneira, coerência nunca fez parte dessa premiação, afinal em 2002 eles deram o prêmio de melhor produtor para o KL JAY que subiu ao palco e disse – “porra mas eu não produzi nenhum album este ano!!!”.

Vai entender…

Agora finalziando a discussão entre manos e playboys… Hip-Hop é um movimento originário nos guetos norte-americanos, por negros e LATINOS (muita gente esquece disso e fala besteiras como “rap é feito por preto e pra preto” pra um palco lotado, aliás esses caras também esquecem que nos grandes centros urbanos do país existe uma etinia que sofre tanto ou mais preconceito que os negros, que são os nordestinos, “baianos” ou “paraíbas”…). O RAP é música. E música é uma ARTE e esta independe de etinia, sexo, religião, classe social ou nenhuma dessas besteiras que regem nossa sociedade.
Snoop Dogg, Marcelo D2, Thaíde e os outros caras que tão no festival são artistas, músicos que sobrevivem vendendo seus discos e shows. O que eles fazem paralelo a isso, se esbanja dinheiro a toa mas é um bom pai, ou toca de graça na periferia mas bate na mulher não importa na música, no disco ou no show. Faz a diferença quando vamos julgar o caráter das pessoas, mas não quando vamos julgar sua arte, seu disco ou seu show.

Agora deixa toda essa besteira de lado e chega Terça Feira dia 13 de Janeiro lá na Casa da Matriz que vai tar rolando a Gran Fiesta Cucaracha ADM. Com MZK e Babão detonando grooves latinos, black music e samba acompanhados dos MCs da BRUTAL CREW e qualquer outro rimador que aparecer por lá. E Marcelinho da Lua e Dubamster viajando pelas esferas do Ragga, dub e drum’n’bass…

Coisa fina…

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